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Cuba exige fim do embargo em encontro com representantes dos EUA em Havana

Delegação cubana priorizou fim do embargo energético em reunião com representantes dos EUA em Havana

21/04/2026 às 11:55
Por: Redação

Autoridades cubanas e norte-americanas realizaram uma reunião recente em Havana, conforme confirmado por Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para assuntos com os Estados Unidos. O encontro, ocorrido na capital cubana, teve participação de integrantes do governo brasileiro e representantes do governo dos Estados Unidos.

 

No decorrer da sessão, a delegação de Cuba destacou como prioridade a solicitação para que o governo dos Estados Unidos suspenda o embargo energético que incide sobre o país caribenho. Durante a reunião, os representantes cubanos estavam em nível de vice-ministro das Relações Exteriores, enquanto o grupo estadunidense era composto por secretários-adjuntos do Departamento de Estado.

 

Segundo García del Toro, a conversa foi conduzida de forma profissional e respeitosa. Ele esclareceu que não houve imposição de prazos ou declarações de caráter coercitivo, contrariando informações veiculadas por veículos de comunicação dos Estados Unidos. O diplomata também ressaltou que, devido à natureza delicada dos temas discutidos, esses encontros são organizados de modo reservado.

 

Durante a sessão, a delegação cubana reiterou seu foco no levantamento das restrições ao fornecimento de energia. De acordo com o representante cubano, eliminar o embargo energético era considerado prioridade máxima. O diplomata classificou o bloqueio econômico como uma medida de coerção injustificada que penaliza toda a população cubana. Ele também afirmou que o embargo representa uma forma de pressão internacional sobre Estados soberanos, que têm direito de exportar combustíveis para Cuba seguindo os princípios do livre comércio.

 

Impacto das sanções e contexto

 

Desde 29 de janeiro, uma ordem executiva emitida pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou o bloqueio histórico mantido contra Cuba. A medida estabeleceu estado de emergência nacional nos Estados Unidos, ao identificar Cuba como ameaça incomum e extraordinária à segurança do país. Com base nessa ordem, Washington ficou autorizado a aplicar sanções a países que tentem entregar petróleo à ilha, seja de forma direta ou indireta. Como resultado, Cuba passou a enfrentar escassez de combustíveis, o que afeta o cotidiano da população local.

 

O governo de Cuba reafirmou sua disposição para dialogar com as autoridades norte-americanas. Segundo os cubanos, a postura permanece aberta a negociações desde que elas ocorram com respeito mútuo e sem interferências.

 

Possibilidades para negociações bilaterais

 

Em entrevista recente ao veículo de comunicação norte-americano Newsweek, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou ser possível manter conversações com os Estados Unidos para buscar acordos em áreas como ciência, migração, combate ao tráfico de drogas, proteção ambiental, comércio, educação, cultura e esportes.

 

O chefe de Estado de Cuba ressaltou a necessidade de que o diálogo bilaterial ocorra "em termos de igualdade" e com respeito à soberania, ao sistema político, à autodeterminação e às normas do direito internacional.

 

Nós podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.

 

Essa declaração foi feita pelo presidente Miguel Díaz-Canel em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, reforçando o posicionamento do governo cubano quanto à condução das futuras conversações.

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