Teve início nesta segunda-feira, 27 de abril, a campanha de imunização contra a chikungunya destinada aos moradores de Dourados, município localizado no estado do Mato Grosso do Sul. A ação ocorre em meio a um cenário de surto da doença, o que levou as autoridades locais a decretarem situação de calamidade em saúde pública.
O público-alvo da imunização é composto por pessoas com idade entre 18 e 59 anos. O cronograma divulgado prevê ainda a realização de vacinação por meio de drive-thru no feriado de 1º de maio, data em que se comemora o Dia do Trabalhador. Nesse dia, a aplicação das doses acontecerá no pátio da Prefeitura de Dourados, entre 8h e 12h.
A meta definida para a campanha é imunizar aproximadamente 43 mil indivíduos, o que corresponde a cerca de 27% do total de pessoas elegíveis para a vacina segundo os critérios estabelecidos.
De acordo com informações do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, até o ano de 2026 já foram contabilizados 2.621 casos de chikungunya na cidade, incluindo oito mortes confirmadas e um óbito que ainda está sob análise para confirmação. O levantamento detalha que quase 60% das notificações da doença atingem a população indígena local. Em seguida, 21,3% dos casos envolvem pessoas brancas, enquanto pretos e pardos representam 18% das ocorrências registradas.
A vacinação contra a chikungunya apresenta restrições para determinados grupos, sendo proibida a aplicação em gestantes, lactantes, pessoas que fazem uso de medicamentos imunossupressores, como corticoides em altas doses, indivíduos com imunodeficiência congênita, pacientes em tratamento de câncer por meio de quimioterapia ou radioterapia, transplantados de órgão sólido, transplantados de medula óssea há menos de dois anos, pessoas vivendo com HIV/aids e portadores de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide.
Além desses casos, a vacina não deve ser administrada em pessoas que possuem ao menos duas condições médicas crônicas entre as seguintes: diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer (tanto em tratamento quanto em remissão).
Outras situações que contraindicam a vacinação incluem pessoas que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias, aquelas que estejam em estado febril grave, indivíduos que receberam outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias ou que tenham sido imunizados com vacina de vírus inativado nos 14 dias anteriores.
A prefeitura esclarece que a aplicação da vacina deve ocorrer de maneira cuidadosa, já que todos os integrantes do público-alvo passarão por avaliação feita por profissional de saúde antes de receber a dose do imunizante, o que pode tornar o processo mais lento do que o habitual.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya em abril de 2025. A aplicação do imunizante será realizada de forma estratégica ao longo dos próximos anos em regiões consideradas de maior risco para transmissão da doença. A previsão é de que cerca de 20 cidades, distribuídas em seis estados brasileiros, sejam contempladas com essa medida.
Segundo informações da administração municipal, a escolha dos municípios levou em conta uma série de fatores epidemiológicos, como a ocorrência de casos de chikungunya em áreas com circulação ativa do vírus, o tamanho da população de cada localidade e a possibilidade de implantação rápida da vacina no sistema de saúde local.
A iniciativa faz parte de um plano do Ministério da Saúde que visa priorizar municípios que apresentam alta incidência de chikungunya. Em 2025, o Brasil registrou mais de 127 mil casos da infecção, com 125 mortes associadas à doença em todo o território nacional.