Nesta quarta-feira, o dólar encerrou as operações acima do patamar de cinco reais, enquanto o principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, registrou uma queda superior a dois por cento. O cenário financeiro do dia foi marcado pelo aumento da cautela nos mercados internacionais, resultante das tensões envolvendo o Oriente Médio, da expectativa em relação à decisão do Banco Central dos Estados Unidos e da espera pela definição da taxa básica de juros no Brasil.
O dólar comercial foi cotado ao final do dia em cinco reais e um centavo, correspondendo a uma alta de um centavo e nove décimos (+0,4%). Durante o início das negociações, a cotação permaneceu estável, próxima a quatro reais e noventa e oito centavos, porém foi impulsionada após a abertura dos mercados estadunidenses. O valor máximo do dia, atingido por volta das dezesseis horas, foi de cinco reais e um centavo.
No contexto global, a moeda norte-americana apresentou valorização frente às principais moedas do mundo. Tal movimento foi influenciado por um ambiente internacional mais incerto, decorrente do agravamento das tensões geopolíticas e da decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros entre três vírgula cinquenta por cento e três vírgula setenta e cinco por cento ao ano nos Estados Unidos.
O Ibovespa, índice de referência do mercado de ações do Brasil, apresentou queda expressiva, alcançando o menor patamar desde o dia trinta de março. No fechamento, registrou cento e oitenta e quatro mil setecentos e cinquenta pontos, com recuo de dois vírgula zero cinco por cento. Ao longo da sessão, o índice variou entre a mínima de cento e oitenta e quatro mil quinhentos e quatro pontos e a máxima de cento e oitenta e oito mil setecentos e nove pontos, refletindo uma oscilação superior a quatro mil pontos.
Na semana, o acumulado de perdas chegou a três vírgula quatorze por cento e, ao longo do mês, a retração foi de um vírgula quarenta e cinco por cento. Apesar disso, no acumulado do ano, o índice mantém valorização de quatorze vírgula sessenta e seis por cento. Desde o recorde histórico registrado em abril, o Ibovespa recuou aproximadamente quatorze mil pontos, sendo a queda desta quarta-feira a mais intensa desde vinte de março.
No mercado internacional, os preços do petróleo tiveram forte alta, impulsionados pela intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo WTI, referência nos Estados Unidos, foi negociado ao preço de cento e seis dólares e oitenta e oito centavos, apresentando aumento de seis vírgula noventa e cinco por cento. Já o Brent, referência utilizada nos contratos da Petrobras, encerrou o dia cotado a cento e dez dólares e quarenta e quatro centavos, com valorização de cinco vírgula setenta e oito por cento.
O movimento de valorização do petróleo reflete as incertezas quanto ao fornecimento global da commodity. O risco de interrupções no fluxo pelo Estreito de Ormuz, que é uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo, contribuiu para o aumento dos preços.
Os investidores mantiveram o foco nas questões externas ao longo de todo o dia, diante da decisão do Federal Reserve de preservar as taxas de juros e da preocupação manifestada com a inflação e com o crescimento das incertezas globais. O agravamento do conflito localizado no Oriente Médio elevou ainda mais a volatilidade nos mercados mundiais. Os preços do petróleo acima de cem dólares por barril também ampliaram as pressões inflacionárias.
No cenário nacional, o mercado aguardava a divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O anúncio da redução da taxa básica de juros em zero vírgula vinte e cinco ponto percentual, fixando-a em quatorze vírgula cinco por cento ao ano, foi divulgado apenas após o encerramento das negociações do dia.