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Projeto incentiva participação de estudantes em escolas públicas de Petrópolis

Cerca de 100 jovens de duas escolas participam de ações ambientais, leitura e games em Petrópolis

02/05/2026 às 22:37
Por: Redação

Cerca de 100 estudantes do ensino público localizados na região do Alto da Independência, em Petrópolis, integram um programa educacional que busca promover o engajamento e a colaboração de crianças e adolescentes em suas próprias comunidades.

 

A iniciativa desenvolve atividades em três áreas principais: práticas ligadas ao meio ambiente, ações voltadas ao incentivo à leitura e escrita, além de propostas para estimular a criatividade.

 

O funcionamento do projeto se baseia na autonomia dos alunos, que são incentivados a criar e executar iniciativas práticas com orientação dos professores. A primeira etapa do programa teve início em 10 de março, reunindo três turmas, e a expectativa é atingir até 1.800 estudantes ao longo do processo.

 

Victor Prado, responsável pela concepção do projeto, destaca que vê na proposta uma chance de ampliar a visão dos jovens sobre assuntos que costumam ser marcados por estigmas sociais.

 

“Sustentabilidade não é custo, é oportunidade, assim como os games. Mas, antes de tudo, é fundamental que os estudantes se enxerguem como capazes e saibam comunicar suas ideias, daí a importância da leitura e da escrita diante das ferramentas digitais”, disse.


 

Segundo Prado, a ideia do programa surgiu após anos de experiência em escolas públicas, sempre considerando discussões atuais sobre o uso da tecnologia no ambiente educacional.

 

Métodos aplicados com os alunos

 

No início, os participantes são convidados a aderir ao Desafio Verde, uma série de oficinas e atividades colaborativas voltadas à educação ambiental. O objetivo é mobilizar a comunidade e transformar os estudantes em protagonistas de ações para solucionar questões socioambientais na área em que vivem.

 

Em seguida, a ação Vozes do Alto propõe trabalhos de leitura, escrita e produção de conteúdo, incentivando os jovens a observar suas realidades e traduzir vivências em narrativas de autoria própria.

 

Já na etapa chamada Arquitetura de Games, os jogos são apresentados como expressão cultural e ferramenta tecnológica, além de servirem de introdução a temas como criatividade, design, trabalho em equipe e possibilidades profissionais.

 

Samuel Barros, morador do Alto da Independência e criador de conteúdo sobre jogos há mais de dez anos no YouTube, atua como docente no projeto, além de ser um dos responsáveis pelo “Torneio Intercolegial de Games”. Ele relata que a participação ativa dos alunos superou suas expectativas iniciais.

 

“No princípio, eu pensei que apenas o projeto de games seria o que mais despertaria interesse dos alunos, porém, os três projetos foram muito bem recebidos”, disse.


 

“Apesar de darmos recompensas para os projetos mais criativos apresentados, nós percebemos que o interesse deles pelo projeto está muito além de quererem receber algo em troca. Isso foi uma das coisas que mais me chamou atenção”, completou.


 

O programa contempla duas instituições: a Escola Municipal Alto Independência e o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Santos Dumont. De acordo com Victor Prado, há planos para abertura de novas turmas na próxima semana, respondendo à demanda crescente dos estudantes.

 

Opinião dos estudantes sobre as práticas escolares

 

Um levantamento realizado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2025 apontou que quatro em cada dez alunos brasileiros consideram as atividades práticas um elemento necessário para a “escola do futuro”.

 

Entre os estudantes do 6º e 7º ano, 41% deram ênfase à importância dessas práticas, índice semelhante ao registrado entre alunos do 8º e 9º ano, com 39%. O levantamento também destacou o valor atribuído pelos jovens às atividades que envolvem tecnologia e mídias digitais.

 

As informações são parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, resultado da participação de 2,3 milhões de jovens de todos os estados do Brasil. A pesquisa foi promovida pelo MEC em parceria com o Itaú Social, o Consed e a Undime.

 

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

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