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Produção feminina lidera indicações no Prêmio Platino Xcaret de cinema

Três dos cinco filmes indicados ao principal prêmio da edição 2026 têm direção feminina

02/05/2026 às 00:12
Por: Redação

Entre os títulos que concorrem ao principal reconhecimento do cinema ibero-americano em 2026, o Prêmio Platino Xcaret, destacam-se as produções dirigidas e protagonizadas por mulheres, que compõem a maioria dos indicados. A lista de finalistas conta, ao todo, com 30 longas-metragens e 19 séries, contemplando trabalhos de 14 países da região ibero-americana, sendo sete dessas produções brasileiras.

 

A premiação está marcada para o dia 9 de maio, em uma cerimônia que será realizada em Cancún, no México. Parte dos filmes que disputam o prêmio pode ser encontrada em plataformas digitais, permitindo que o público acompanhe as obras antes da revelação dos vencedores.

 

Entre os concorrentes ao prêmio de melhor filme estão cinco títulos: "Ainda é noite em Caracas", das venezuelanas Marité Ugás e Mariana Rondon; "Belén", dirigido pela argentina Dolores Fonzi; "Os Domingos", da espanhola Alauda Ruiz de Azúa; "O Agente Secreto", do brasileiro Kleber Mendonça Filho; e "Sirât", do espanhol Oliver Laxe.

 

Avanço da presença feminina nas produções

Especialistas consultados apontam que o destaque conquistado por diretoras reflete progressos na participação feminina no setor audiovisual, embora admitam que ainda há desequilíbrio nos bastidores. Segundo Ilda Santiago, produtora brasileira e diretora do Festival do Rio, esse avanço é circunstancial, uma vez que a presença de mulheres continua reduzida em áreas técnicas, como montagem, fotografia e trilha sonora.

 

“Quando olhamos para a categoria principal do Platino, temos três mulheres, todas com experiência em cinema, que não estão lançando a primeira obra e isso é muito bem-vindo”, destacou Ilda Santiago.

 

Na edição de 2026 do Prêmio Platino, as diretoras Dolores Fonzi e Alauda Ruiz de Azúa disputam a categoria principal ao lado de Kleber Mendonça Filho e Oliver Laxe. Ambos também concorreram ao Oscar de melhor filme estrangeiro em março. No entanto, em categorias como montagem, fotografia e efeitos visuais, há predominância masculina.

 

Ilda Santiago ressalta que, com mulheres liderando as filmagens, ampliam-se as possibilidades de abordagem da complexidade contemporânea. Para ela, essa participação resulta em equipes mais equilibradas, colaborando para ambientes de trabalho mais ricos e harmoniosos.

 

Marina Tedesco, professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), observa que as produções assinadas por mulheres no Prêmio Platino oferecem perspectivas que têm conquistado espaço nas telas e nas premiações, ainda que a presença feminina não seja consolidada industrialmente.

 

Especialista em cinema latino-americano, Tedesco avalia que, nos últimos anos, movimentos sociais, debates feministas, antirracistas e pautas relacionadas à diversidade ganharam força, o que se reflete tanto nas salas de cinema quanto nos festivais. Ela acredita que essa mobilização social favorece a realização de mais obras, facilitando sua entrada no circuito.

 

“Hoje há maior interesse por histórias que representam experiências que não foram vistas ou foram poucas vezes vistas nas telas”, disse Tedesco. Essa combinação aumenta o apelo comercial dos filmes, uma consequência positiva para o cinema e a sociedade.

 

Juliano Gomes, crítico e professor de cinema da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), aponta que o desenvolvimento do cinema feito por mulheres, em âmbito global, está ligado ao incentivo para pequenas e médias produtoras. Segundo ele, um fomento igualitário beneficia todos os grupos sociais, incluindo pessoas negras, indígenas e LGBTQIA+.

 

“O cinema feito por mulheres floresce, em todo o mundo, quando há incentivos às pequenas e médias produtoras”, afirmou Gomes.

 

Tramas dos filmes concorrentes

Entre as obras indicadas, "Belén" é um exemplo do movimento de ampliar narrativas femininas. O filme parte de um caso verídico envolvendo uma jovem presa após um aborto espontâneo, reacendendo discussões sobre direitos das mulheres e desigualdades judiciais. A advogada Soledad Deza, vivida por Dolores Fonzi, é peça central na trama, que recebeu 11 indicações ao prêmio, incluindo melhor filme, melhor atriz e melhor direção.

 

Outra produção dirigida por mulher, "Os Domingos" apresenta a trajetória de Ainara, uma adolescente do País Basco que descobre sua vocação religiosa, causando conflitos familiares. Este é o terceiro longa-metragem de Alauda Ruiz de Azúa, que discute temas familiares no contexto atual.

 

O suspense "Ainda é noite em Caracas" acompanha a jornada de uma venezuelana que volta do enterro da mãe e se vê sozinha, em meio a protestos e milícias na capital, em 2017.

 

Os outros concorrentes a melhor filme ibero-americano são "O Agente Secreto", já premiado internacionalmente e detentor de três prêmios Platino por melhor música original, montagem e direção de arte, além do suspense espanhol "Sirât", vencedor do Festival de Cannes em 2025.

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