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Lula defende reciprocidade após retirada de agente dos EUA pela PF

Presidente apoia ação da PF contra agente americano após medida similar dos EUA e destaca contratação de mil novos policiais

23/04/2026 às 11:13
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília. Lula afirmou que a medida segue o princípio da reciprocidade diante de ações recentes do governo norte-americano em relação a um delegado brasileiro.

 

Segundo o presidente, a iniciativa da Polícia Federal brasileira foi tomada em resposta à determinação do governo dos Estados Unidos para que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, deixasse o território norte-americano. Marcelo Ivo de Carvalho, de acordo com informações, estava envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", declarou Lula em vídeo publicado nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.


 

O Ministério das Relações Exteriores comunicou, por meio de nota oficial publicada na rede X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos recebeu notificação em 21 de abril informando que o Brasil adotaria o princípio da reciprocidade, após a decisão sumária que afetou o agente da Polícia Federal. Segundo o MRE, a decisão norte-americana não foi precedida de pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo, em desacordo com acordos bilaterais de cooperação policial firmados entre os países.

 

Na mesma nota, o Itamaraty ressaltou que a medida tomada pelos Estados Unidos não se alinhou às práticas diplomáticas recomendadas para nações amigas, como Brasil e Estados Unidos, que mantêm uma relação de mais de dois séculos. O órgão também reforçou que o agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos, que trata da facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança, informando ainda que o mesmo tratamento seria dado ao agente dos Estados Unidos.

 

Ações e contexto das expulsões

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos revelou em 20 de abril ter solicitado a saída de um funcionário brasileiro do território norte-americano. Embora não tenha citado nomes, a declaração indicou que se tratava de Marcelo de Carvalho, delegado da Polícia Federal brasileiro, que esteve diretamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso na Flórida por autoridades de imigração americanas e liberado em 15 de abril, após permanecer detido por dois dias. No ano anterior, o Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem a 16 anos de prisão em uma ação penal relacionada a uma trama para a realização de golpe de Estado, o que resultou na perda de seu mandato e sua fuga para os Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição de Alexandre Ramagem aos EUA, feito pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Já em abril, a Polícia Federal comunicou que a prisão de Ramagem foi realizada pelo serviço de imigração norte-americano, como resultado de uma cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no campo policial.

 

Segundo a Polícia Federal, o ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e passou a ser considerado foragido da Justiça brasileira após ser condenado por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de direito e organização criminosa armada.

 

Reforço no efetivo da Polícia Federal

 

Durante o vídeo divulgado nas redes sociais, Lula também anunciou a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. Esses profissionais atuarão em portos, aeroportos e áreas de fronteira, numa iniciativa que integra o compromisso do governo federal com o reforço ao combate ao crime organizado em diferentes regiões do país.

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