Em uma sessão marcada por tentativas de obstrução na manhã da última sexta-feira, dia 17, o deputado estadual Douglas Ruas, do Partido Liberal (PL), foi escolhido como o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Do total de 45 parlamentares que estavam presentes no plenário para a votação, 44 manifestaram voto favorável à sua eleição, com o registro de uma única abstenção.
Os partidos que compõem a oposição – incluindo o Partido Social Democrático (PSD), Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Podemos, Partido da República (PR), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Cidadania, Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – optaram por não comparecer à sessão. A justificativa para a ausência foi a discordância em relação à modalidade de voto aberto para o pleito. Esses grupos argumentavam que a votação secreta seria essencial para evitar possíveis pressões e retaliações políticas aos parlamentares.
No geral, 25 deputados estaduais não participaram do processo eleitoral. A única abstenção registrada foi a do deputado Jari Oliveira, do PSB. Apesar de pertencer à oposição, Oliveira participou da votação de forma remota, porém, seu voto foi destinado exclusivamente à eleição do Dr. Deodalto para o cargo de segundo secretário da mesa diretora. Dr. Deodalto foi eleito com a totalidade de 45 votos.
A tentativa dos partidos de oposição de realizar uma votação secreta havia sido previamente derrubada por uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Na quinta-feira anterior, dia 16, o TJRJ rejeitou um pedido feito pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) que solicitava a realização da sessão com voto secreto.
“Votaram 45 deputados, 44 votos sim e uma abstenção. Para a presidência, o meu irmão Douglas Ruas está eleito e empossado como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Peço que o mesmo venha assumir a presidência”, declarou o deputado Guilherme Delaroli, também do PL, durante a sessão.
Guilherme Delaroli estava no comando da presidência da Casa de forma interina, sucedendo o então presidente Rodrigo Bacellar, que havia sido afastado do cargo. Bacellar chegou a ser detido por supostamente vazar informações confidenciais relacionadas à Operação Unha e Carne. Esta operação investiga o ex-deputado estadual TH Joias por suas alegadas ligações com a facção criminosa Comando Vermelho.
Rodrigo Bacellar foi novamente preso pela Polícia Federal em 27 de março deste ano. Anteriormente, em dezembro de 2025, ele já havia sido detido, mas foi liberado após uma decisão do plenário da Alerj.
Após assumir a presidência da Alerj, Douglas Ruas realizou um discurso no qual direcionou suas críticas ao PSD e ao PDT. Ele os acusou de tentar impedir a votação aberta, método que ele considera mais democrático para a condução do pleito.
O novo presidente da Assembleia Legislativa destacou que, nos dias recentes, o estado do Rio de Janeiro enfrentava um cenário inédito de interinidade em seus três poderes.
“No governo do estado do Rio de Janeiro, também interinidade no Judiciário, tendo em vista que o presidente daquele poder [desembargador Ricardo Couto] está exercendo cargo de governador, e lá está a desembargadora [Suely Lopes Magalhães] de forma interina conduzindo aquele poder e também tínhamos uma interinidade no poder legislativo”, exemplificou Ruas sobre a situação.
Douglas Ruas afirmou ainda que sua gestão será para todos os 70 deputados que compõem o quadro parlamentar da Alerj. Ele expressou sua gratidão aos deputados e deputadas que lhe confiaram essa responsabilidade, classificando-a como uma missão coletiva, construída a partir do diálogo e sempre buscando soluções em benefício da população fluminense.
Anteriormente, Ruas já havia sido eleito para o mesmo cargo em uma votação rápida realizada pela Alerj. Contudo, essa eleição foi anulada por uma decisão da presidente em exercício do TJRJ. A anulação ocorreu porque o Tribunal entendeu que o processo eleitoral só poderia ser iniciado após a retotalização dos votos dos parlamentares pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), procedimento que deveria ocorrer depois da cassação do mandato de Rodrigo Bacellar.