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Dólar encerra abril cotado a 4,95 reais e atinge menor valor em dois anos

Real acumula valorização de 9,77% no ano e Ibovespa fecha abril praticamente estável após seis quedas

01/05/2026 às 15:55
Por: Redação

O fechamento do mês de abril trouxe forte otimismo ao mercado financeiro no Brasil, influenciado tanto pelo cenário internacional quanto pelas sinalizações adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O dólar comercial encerrou a quinta-feira, 30 de abril, cotado a 4,952 reais, representando uma queda de 0,049 real, o equivalente a 0,99%. O patamar alcançado é o mais baixo desde 7 de março de 2024.

 

Internamente, a atmosfera positiva foi reforçada pelo comunicado do Copom, que adotou um tom considerado mais rígido, e pelo apetite global por risco, elementos que contribuíram diretamente para o ingresso de capital estrangeiro no país. Investidores optaram por vender dólares e direcionar os recursos para o mercado nacional, em especial para ativos como as ações negociadas na B3.

 

No acumulado de abril, a moeda norte-americana apresentou desvalorização de 4,38% frente ao real. Quando observado o desempenho desde o início do ano, a queda atinge 9,77%, colocando o real entre as moedas de melhor resultado no período.

 

Segundo analistas, esse movimento se deve, em grande parte, à fraqueza do dólar no cenário internacional, observada em diferentes mercados, e à busca por economias com taxas de juros mais altas para alocação de investimentos.

 

No contexto brasileiro, mesmo com o início de um ciclo de cortes, a taxa básica de juros (Selic) permanece elevada. Na última quarta-feira, 29 de abril, o Banco Central reduziu a Selic para 14,50% ao ano, mas alertou para uma postura de cautela nas próximas decisões, diante do risco de aumento da inflação.

 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve decidiu manter a taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, ampliando o diferencial entre as taxas praticadas nos dois países. Esse diferencial é apontado como um dos fatores determinantes para a valorização do real, uma vez que o Brasil se torna mais atrativo para investidores estrangeiros em busca de maior rentabilidade.

 

Além do dólar, o euro comercial também apresentou queda significativa no mesmo dia. A moeda europeia foi negociada a 5,811 reais, com desvalorização de 0,48%, atingindo o menor valor desde 24 de junho de 2024.

 

Desempenho do mercado de ações

Após registrar seis sessões consecutivas de baixa, a bolsa brasileira reverteu a tendência e experimentou alta, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro e pela reavaliação das perspectivas para a política monetária nacional. O índice Ibovespa, principal referência da B3, fechou a quinta-feira com 187.318 pontos, representando um avanço de 1,39%.

 

O fluxo de recursos de fora do país, aliado à indicação de que os cortes na Selic serão realizados de maneira mais gradual, elevaram as expectativas de estabilidade econômica, o que favoreceu o mercado acionário. Apesar da recuperação observada na sessão, o índice terminou abril praticamente no mesmo patamar do início do mês, já que as quedas registradas anteriormente anularam parte dos ganhos acumulados.

 

No âmbito doméstico, investidores também monitoraram indicadores econômicos e decisões políticas. Os dados mais recentes referentes ao mercado de trabalho revelaram resiliência da economia, o que reforçou a percepção de que não há espaço para cortes relevantes na taxa básica de juros em um curto horizonte.

 

Oscilações do petróleo influenciam mercados

O comportamento dos preços do petróleo continuou exercendo influência sobre os mercados globais. A commodity, considerada um bem primário com preços negociados internacionalmente, registrou um dia de intensa volatilidade devido às tensões geopolíticas envolvendo a região do Oriente Médio.

 

Durante o pregão, as cotações da matéria-prima chegaram a superar a marca dos 120 dólares, mas perderam força ao longo do dia. O barril do tipo Brent, referência para as operações da Petrobras, fechou o período em 110,40 dólares, praticamente estável. Já o barril do tipo WTI, negociado no Texas e utilizado nas transações nos Estados Unidos, fechou em 105,07 dólares, com queda de 1,69%.

 

As variações nos preços refletem incertezas quanto ao fornecimento global, especialmente diante das tensões entre Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições impostas no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas do petróleo mundial. Apesar das quedas pontuais, os valores permanecem em patamar elevado, o que mantém pressão sobre a inflação global e influencia as estratégias de política monetária dos países.

 

Informações adicionais foram fornecidas pela Reuters.

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